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Postado em 03 de Maio de 2016 às 10h54

Empatia nas relações corporativas: aprendendo a calçar o sapato alheio

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No olhar e sensibilidade de Stela Nesello, diretora de atendimento na Agência Incomum

 

No convívio social, a chamada "regra de ouro" recomenda: "faça aos outros o que gostaria que fizessem a você". No processo de investigação para o desenvolvimento de um artigo científico sobre empatia nas relações corporativas, fui apresentada à "regra de prata", que diz:

"Faça aos outros o que eles gostariam que fizesse a eles."

É uma grande diferença, não? Para respeitar essa regra, você precisa estar disposto a calçar o sapato alheio. Isso só pode ser feito se antes você se perguntar: "eu consigo abrir mão dos meus julgamentos para me colocar no lugar de outra pessoa?".

Toda vez que nos convidam a tentar calçar o sapato dos outros como exercício de empatia, precisamos saber que aquele sapato não nos pertence e encará-lo realmente como se vivêssemos a vida de outro personagem. Qual seu sistema de crenças, sua cultura, seu modo de vida, seus valores? É uma viagem para dentro de alguém.

Empatia e generosidade

Para que isso aconteça de maneira plena é preciso um tanto de generosidade, porque esse exercício é bem mais fácil quando tentamos nos colocar no lugar de uma pessoa querida ou que esteja passando por uma situação que já vivenciamos do que com um desafeto ou alguém que vive do outro lado do mundo, com quem nunca tivemos contato.

Quer perceber essa diferença? Então feche os olhos e tente se conectar com uma pessoa querida, imaginando como ela se sentiria se estivesse passando frio. Agora imagine o mesmo com uma pessoa que você conhece, mas com quem não tem muito contato, e depois com um indivíduo com quem você tem dificuldades de relacionamento.

As três estão sentindo frio, mas com qual delas você consegue sentir mais presente o desconforto e imaginar o que está lhe passando pela cabeça, quais são suas dores e suas preocupações?

Se alguma dessas situações estiver no nosso campo de visão, o impacto é ainda maior. Pesquisas feitas com animais demonstraram que o sentido mais sensível à manifestação empática é a visão. Ao vermos alguém, podemos nos conectar melhor com suas emoções do que apenas ouvindo, por exemplo.

Entendendo o outro

A empatia é um tema muito sedutor. Ela não é uma emoção, mas um comportamento causado pelas emoções ? e é diferente da sensação de piedade ou compaixão. É possível ter empatia por alguém de quem se sente raiva, ou entrar em euforia com alguém explodindo de alegria.

Podemos ter empatia por uma pessoa que tem o pensamento completamente contrário ao nosso e, inclusive, não concordar com ele, mas entender exatamente aquela pessoa e sua atitude dentro da sua visão de mundo.

Paul Ekman, psicólogo americano, define três formas de empatia: na empatia cognitiva, identificamos o que o outro sente; na empatia emocional, sentimos, de fato, o que o outro está sentindo; e na empatia compassiva, queremos ajudar o outro a lidar com sua situação e com suas emoções.

Quando alguém utiliza somente a empatia cognitiva, sem nenhum envolvimento emocional, pode significar que quer apenas tirar algum proveito da fragilidade de seu interlocutor.

Empatia nas relações corporativas

No artigo que dissertei, identifiquei que os humanos manifestam empatia com os colegas em um ambiente cooperativo, mas mostram-se insensíveis em relação aos competidores. Quando somos tratados com hostilidade, demonstramos o contrário de empatia.

No mundo corporativo, influenciado por anos de uma interpretação simplista do pensamento evolucionista (o equívoco que pregava apenas a relevância do mais forte e mais inteligente), a era da empatia veio para esclarecer que adaptação social e relacionamento também são essenciais para a sobrevivência.

Estamos fazendo a transição para o "homo empathicus", que já havia sido percebido por Adam Smith (sim, o mesmo autor de A Mão Invisível). Ele dizia: "por mais egoísta que se suponha o homem, evidentemente, há alguns princípios em sua natureza que o fazem interessar-se pela sorte dos outros e considerar a felicidade deles necessária para si mesmo, ainda que nada extraia dela senão o prazer de contemplá-la".

Pratique a empatia, você só tem a ganhar

Colocar-se no lugar do outro com entrega e generosidade é um exercício. Bem difícil de se fazer de maneira inicial e sem julgamentos. Mas, como qualquer exercício, precisa de prática para ser aprimorado.

Tente fazer uma viagem para dentro do universo de alguém, pelo menos uma vez por dia. Você vai se surpreender com as transformações que isso pode trazer à sua sensibilidade e compreensão. E leva de brinde uma sensação de bem-estar que pode ser ainda mais benéfica à você do que ao dono sapato.

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